O sucesso de Solo Leveling esconde o capítulo mais sombrio da história do manhwa: nos anos 70, eles eram queimados em praça pública pelo governo.
A verdadeira história do manhwa não é um conto de fadas artístico; é um thriller de sobrevivência. O que hoje é uma indústria bilionária de Webtoons começou como uma ferramenta de resistência política que foi caçada por ditadores, faliu completamente nos anos 90 e precisou ser reinventada do zero por engenheiros de software.
Se você quer entender como chegamos até aqui, precisa olhar para os esqueletos no armário da indústria.
📌 Nota do Nerd: Para entender o cenário atual dos lançamentos, abra em outra aba nosso Guia Definitivo de Manhwas 2026: Os Títulos que Você Precisa Ler .
O Período Sombrio da história do manhwa: Censura e Propaganda

Esqueça a liberdade criativa que vemos hoje. Durante grande parte do século XX, fazer quadrinhos na Coreia do Sul era uma atividade de risco. Sob a ditadura militar (especialmente o regime de Park Chung-hee nas décadas de 60 e 70), o manhwa coreano foi declarado “Inimigo Social”.
O governo criou a Comissão de Ética, um órgão brutal que não apenas censurava, mas ditava o que podia ser desenhado.
- A Regra do Medo: Se a história não fosse patriótica ou anti-comunista, ela era barrada.
- A Fogueira: Milhares de manhwas considerados “nocivos” foram confiscados e destruídos.
Foi nesse ambiente hostil que a astúcia dos artistas brilhou. Para fugir do radar militar, muitos migraram para o Sunjeong (romances dramáticos focados em emoções).
O governo via histórias de amor como “inofensivas”, sem perceber que as autoras estavam usando metáforas complexas para discutir a opressão social. O manhwa não morreu; ele aprendeu a se esconder nas entrelinhas.
A Crise do Papel e a Falência das Editoras na crise dos anos 90

Se a ditadura tentou matar o manhwa à força, o mercado quase o matou de fome. No final dos anos 90, a Coreia do Sul foi atingida pela Crise Financeira Asiática (o colapso do FMI). O impacto na cultura pop foi devastador.
A Invasão Japonesa: As leis que proibiam produtos culturais japoneses caíram. O Mangá (Dragon Ball, Slam Dunk) invadiu as bancas com qualidade de papel superior e preços baixos, massacrando as produções locais.
O Fim das Bancas: As Manhwabangs (locadoras de quadrinhos), que eram o coração da distribuição, fecharam as portas em massa. As pessoas não tinham dinheiro para alugar gibis.
A indústria impressa do manhwa coreano entrou em colapso total. Editoras faliram. Artistas largaram o nanquim para dirigir táxis. O formato físico estava morto.
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O Plano da Naver: Como a Tecnologia “Scroll” Salvou a Indústria com os webtoons coreanos

Foi aqui que a história mudou para sempre. No início dos anos 2000, enquanto o mundo ainda usava internet discada, a Coreia do Sul já estava conectada em banda larga.
A gigante de buscas Naver (o “Google coreano”) percebeu um problema: as pessoas passavam horas na internet, mas não havia conteúdo visual rápido para consumir. Kim Jun-koo, um desenvolvedor fanático por quadrinhos na Naver, teve uma ideia radical que parecia estúpida na época.
Ele notou que as pessoas estavam começando a ler em telas e, futuramente, em celulares. O formato de “página de livro” (virar para o lado) era horrível em telas digitais.
A Solução? O Scroll Vertical Infinito.
Nascia o WEBTOON a evolução dos quadrinhos..
- Adeus Preto e Branco: Como era digital, não havia custo de impressão. O manhwa tornou-se colorido da noite para o dia.
- Adeus Editoras: A Naver abriu as portas para qualquer um publicar (o Challenge League).
- O Efeito Viral: O formato de rolagem criava uma tensão cinematográfica que o papel nunca conseguiu.
Eles não salvaram o manhwa tentando reviver o passado; eles salvaram a indústria destruindo o formato tradicional e criando algo novo.
Guia Nerd: O Legado da Revolução dos webtoons coreanos
Por que o Manhwa é lido da esquerda para a direita (ou para baixo)?
Diferente do mangá (direita para esquerda), o manhwa impresso segue a leitura ocidental. Mas o verdadeiro padrão hoje é o Top-to-Bottom (Cima para Baixo), criado especificamente para o polegar humano no smartphone.
A Censura acabou totalmente?
Não, ela mudou de rosto. Hoje não é o governo, mas as plataformas (Naver/Kakao) que impõem regras rígidas sobre violência e nudez para manter o conteúdo acessível (e monetizável) para todas as idades.
O segredo da resiliência coreana
Essa história de ser espancado, quase morrer e voltar mais forte não te lembra alguém? Exato. A história da indústria reflete a jornada dos seus próprios protagonistas.
🔗 Entenda a psicologia por trás disso em: Por que somos viciados em heróis Overpowered que começam do zero?
Referências:
- THE KOREA HERALD. History of Korean Comics (Manhwa). Acesso em: 05 out. 2025.
- NAVER WEBTOON. About Us: The History of Scrolling. Acesso em: 05 out. 2025.
- KOCCA (Korea Creative Content Agency). Manhwa Industry White Paper 2024. Acesso em: 05 out. 2025.
- THE DIPLOMAT. South Korea’s Webtoon Revolution. Acesso em: 05 out. 2025.
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Você sabia que o formato que você lê no celular foi criado para salvar a indústria da falência? Deixe nos comentários qual foi o primeiro Webtoon que te fez perceber que isso era “diferente” de mangá.







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