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Mulheres Mangakas: A Revolução Silenciosa que Moldou o Mangá Moderno

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E aí, pessoal! Quando pensamos nos grandes nomes do mangá, a mente geralmente voa para mestres como Osamu Tezuka ou Akira Toriyama. Por décadas, a imagem da indústria foi predominantemente masculina. Mas e se eu te dissesse que essa percepção não conta nem metade da história? Prepare-se, porque hoje vamos falar sobre a força mais poderosa e, por vezes, subestimada, que moldou e continua a moldar o futuro dos quadrinhos japoneses: as mulheres mangakas.

Uma pesquisa que gerou um debate intenso na comunidade, citada por portais como o ManNavi, chegou a apontar que mais de 70% dos criadores de mangá no Japão hoje são mulheres. Embora a metodologia exata seja discutida, uma coisa é inegável: a presença e a influência das mangakas mulheres é massiva e transcende gêneros. Elas não estão apenas nos romances do mangá shoujo; elas estão dominando o shonen, e seinen e redefinindo o que significa criar uma história de sucesso global.

Neste guia, vamos embarcar em uma jornada para celebrar essas artistas incríveis, desde as pioneiras que chutaram as portas de um clube do bolinha até as super estrelas que hoje comandam a indústria.

O Início da Jornada das Mulheres Mangakas: Desafiando um Mundo de Tinta e Testosterona

A mangaká Akiko Higashimura em seu estúdio, exemplo de uma criadora que desafiou o preconceito na indústria. Ao lado, a capa de 'Princess Jellyfish', obra que prova o sucesso de sua visão única, contrariando editores que diziam que 'mulheres não entendem de ação'.Pin
Akiko Higashimura, que ouviu que ‘mulheres não entendem de ação', provou o contrário com o sucesso global de obras como ‘Princess Jellyfish'. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Akiko Higashimura / Kodansha

Apesar da forte presença hoje, a jornada das mulheres mangakas foi marcada por desafios. No início da indústria, muitas precisavam usar pseudônimos masculinos apenas para que seus trabalhos fossem levados a sério pelos editores. Havia uma pressão editorial imensa para que se concentrasse exclusivamente em temas considerados “femininos”, como romances escolares e dramas leves. Akiko Higashimura, a mente brilhante por trás de Princess Jellyfish, já relatou em entrevistas ter ouvido de um editor a frase absurda: “mulheres não entendem de ação”.

Esse cenário hostil levanta uma questão: quantas histórias incríveis nós perdemos por causa desse preconceito? Felizmente, um grupo de mulheres ousadas decidiu que não aceitaria essas limitações.

A Revolução do Ano 24: As Mães Fundadoras do Mangá Moderno

Nos anos 70, o mangá shoujo (tradicionalmente para meninas) era visto como um gênero menor, focado em histórias simples e superficiais. Tudo mudou com a chegada do Grupo do Ano 24 (24年組 – Nijūyo-nen Gumi). Este não era um grupo formal, mas sim um coletivo de jovens mangakas mulheres, todas nascidas por volta do ano 24 do Período Showa (1949), que decidiram revolucionar o gênero de dentro para fora.

Elas introduziram complexidade psicológica, temas filosóficos, ficção científica de ponta, intriga política e sexualidade no mangá shoujo, elevando-o a um novo e respeitado patamar artístico. Suas principais expoentes foram:


  • Keiko Takemiya: Uma das pioneiras absolutas do gênero boys' love (ou shonen-ai). Sua obra Kaze to Ki no Uta (O Poema do Vento e das Árvores) foi um marco sísmico, abordando um romance homoafetivo com uma sensibilidade e um drama jamais vistos na mídia, abrindo caminho para inúmeras outras histórias.
Montagem da autora Keiko Takemiya, pioneira do gênero boys' love (shonen-ai), ao lado da capa de sua obra revolucionária 'Kaze to Ki no Uta', um marco na história do mangá por sua abordagem de um romance homoafetivo.Pin
Keiko Takemiya, uma das mães do boys' love, e a capa de ‘Kaze to Ki no Uta', a obra que mudou a história do gênero. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Keiko Takemiya / Shogakukan

  • Moto Hagio: Frequentemente chamada de “mãe do shoujo moderno”, Hagio trouxe elementos de ficção científica e dramas psicológicos profundos. The Poe Clan e They Were Eleven são clássicos atemporais que provaram que o shoujo poderia ser tão ou mais complexo que qualquer seinen da época.
Montagem da autora Moto Hagio, a 'mãe do shoujo moderno', ao lado da capa de sua icônica obra de ficção científica 'They Were Eleven', que demonstrou a complexidade e a profundidade psicológica do gênero shoujo.Pin
Moto Hagio e a capa de ‘They Were Eleven', obra que provou que o shoujo podia ser tão complexo quanto qualquer seinen. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Moto Hagio / Shogakukan

  • Riyoko Ikeda: Com sua obra-prima A Rosa de Versalhes, Ikeda provou que o mangá shoujo poderia contar épicos históricos grandiosos, repletos de intriga, ação e comentários sociais. A série se tornou um fenômeno cultural no Japão e no mundo.
Montagem da autora Riyoko Ikeda ao lado da capa de sua obra-prima 'A Rosa de Versalhes', um mangá shoujo que se tornou um épico histórico grandioso, repleto de intriga, ação e comentários sociais.Pin
Riyoko Ikeda e ‘A Rosa de Versalhes', a obra-prima que se tornou um fenômeno cultural mundial. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © The Asahi Shimbun via Getty Images / Riyoko Ikeda / Shueisha

  • Outras Pioneiras: Nomes como Yumiko Ōshima, Ryoko Yamagishi e Machiko Satonaka também foram fundamentais, cada uma expandindo as fronteiras do que era possível criar dentro dos quadrinhos.
Montagem com os retratos das mangakás Yumiko Ōshima, Ryoko Yamagishi e Machiko Satonaka, três pioneiras fundamentais que expandiram as fronteiras criativas do mangá para mulheres.Pin
As pioneiras (da esq. para a dir.): Yumiko Ōshima, Ryoko Yamagishi e Machiko Satonaka, fundamentais na evolução do mangá. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Respectivos Autores/Editoras

As Superestrelas que Conquistaram o Mundo (e o Shonen)

O legado do Grupo do Ano 24 abriu as portas para que uma nova geração de mulheres mangakas não apenas dominasse o shoujo e o josei, mas também conquistasse o território mais competitivo de todos: o shonen.

Rumiko Takahashi: A Rainha da Versatilidade

Montagem da lendária mangaká Rumiko Takahashi, a 'rainha da versatilidade', ao lado da capa de sua icônica obra Ranma ½, um exemplo de sua maestria em misturar comédia, romance e ação que a tornou uma das artistas mais bem-sucedidas do mundo.Pin
A rainha Rumiko Takahashi e seu sucesso global ‘Ranma ½', uma das obras que a consagrou como uma das artistas mais ricas do Japão. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Rumiko Takahashi / Shogakukan

É impossível falar de mangá sem se curvar a Rumiko Takahashi. Com obras lendárias como Inuyasha, Ranma ½ e Urusei Yatsura, ela se tornou uma das artistas mais ricas e bem-sucedidas do Japão. Sua habilidade única de misturar comédia pastelão, romance genuíno, ação de tirar o fôlego e fantasia folclórica criou um estilo inconfundível que cativou milhões de fãs globalmente. Ela é a prova viva de que uma mulher pode criar alguns dos protagonistas masculinos mais icônicos da cultura pop.

Hiromu Arakawa: A Alquimista que Redefiniu o Shonen

Montagem mostrando a genial criadora Hiromu Arakawa ao lado da capa de sua obra-prima 'Fullmetal Alchemist', o mangá shonen que redefiniu o gênero com sua trama complexa sobre moralidade, sacrifício e guerra.Pin
Sim, foi esta mulher genial, Hiromu Arakawa, quem criou a obra-prima ‘Fullmetal Alchemist'. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Hiromu Arakawa / Square Enix

Usando um pseudônimo masculino para evitar preconceitos, Hiromu Arakawa nos presenteou com o que, na humilde opinião deste nerd que sou, é uma das obras mais perfeitas já criadas: Fullmetal Alchemist. Respondendo à pergunta de quem criou Fullmetal Alchemist, foi essa mulher genial. Com uma trama complexa sobre moralidade, sacrifício, genocídio e guerra, personagens inesquecíveis e um sistema de poder impecável, ela entregou uma obra-prima que muitos consideram o melhor shonen já feito. Uma história completa, com início, meio e fim, que respeita a inteligência do leitor.

CLAMP: O Coletivo que Criou Universos Interligados

As quatro mangakas mulheres que formam o lendário coletivo CLAMP. O grupo é responsável por criar universos interligados em obras como Sakura Card Captors e Guerreiras Mágicas de Rayearth.Pin
O lendário coletivo CLAMP, as quatro mentes por trás de clássicos como ‘Sakura Card Captors' e ‘xxxHolic'. | Fonte: Anime Expo 2006

CLAMP não é uma pessoa, mas um coletivo lendário de quatro mangakas mulheres extremamente talentosas. Responsáveis por clássicos absolutos como Sakura Card Captors, Guerreiras Mágicas de Rayearth e xxxHolic, elas são mestras em criar mundos mágicos, com um estilo de arte icônico e narrativas que frequentemente se entrelaçam, criando um dos primeiros e mais bem-sucedidos universos compartilhados dos mangás.

Outras gigantes modernas como Matsuri Hino (Vampire Knight), Shinobu Ohtaka (Magi, Orient) e Jun Mochizuki (Pandora Hearts, Vanitas no Carte) continuam a tradição de criar histórias complexas e visualmente deslumbrantes que dominam as listas de mais vendidos.

A Nova Fronteira: O Digital e as Mangakas Brasileiras

Montagem representando as mangakas brasileiras: à esquerda, Marina de Melo do Nascimento em sua formatura no Japão, e à direita, a capa de 'Lady-Bird Begins' da artista LISSA, exemplos do talento nacional no cenário do mangá.Pin
O talento brasileiro: Marina de Melo (esq.), que atuou no Japão, e a capa de ‘Lady-Bird Begins' de LISSA (dir.), um sucesso do financiamento coletivo. | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Marina de Melo / LISSA

Hoje, a revolução continua no ambiente digital. Plataformas como Pixiv e X (antigo Twitter) permitem que novas mulheres mangakas publiquem seus trabalhos diretamente para o público. O caso de Horimiya, que começou como uma webcomic sob o nome Hori-san to Miyamura-kun, é um exemplo perfeito do poder dessa nova era.

E no Brasil? O cenário é vibrante! Temos talentos como Marina de Melo do Nascimento, que se destacou no Japão e foi assistente de grandes nomes, e LISSA, que usou financiamento coletivo para publicar seu projeto Lady-Bird Begins. Eventos como a CCXP e feiras independentes são palcos fundamentais para celebrar e descobrir as mangakas brasileiras que estão construindo o futuro do nosso mercado.


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Guia Nerd: Respondendo Suas Dúvidas SOBRE AS mulheres mangakas (FAQ)

É verdade que a maioria dos mangakás são mulheres?

Embora pesquisas, como as divulgadas pelo ManNavi, apontem para uma maioria feminina (acima de 70%), não há um censo oficial e a metodologia é debatida. O que é inegável é que a presença feminina é massiva, fundamental e muito maior do que a percepção geral.

Por que algumas mangakas usam pseudônimos masculinos?

Historicamente, era para serem levadas a sério por editores e pelo público em gêneros dominados por homens, como o shonen e o seinen. Hiromu Arakawa (Fullmetal Alchemist) é o exemplo mais famoso. Isso garantia que a obra fosse julgada por sua qualidade, e não pelo gênero de sua criadora.

Qual a diferença entre mangá shoujo e josei?

Ambos são voltados para o público feminino. O mangá shoujo é direcionado a adolescentes, focando em temas como primeiro amor, amizade e amadurecimento, com um tom mais idealizado. O mangá josei é voltado para mulheres adultas, abordando relacionamentos e desafios da vida de forma mais realista e madura.

Homens podem escrever mangá shoujo?

Sim, absolutamente! Embora seja um gênero onde as mulheres mangakas brilham, existem homens que escrevem excelentes obras shoujo, como Izumi Tsubaki (Ore-sama Teacher). O gênero é definido pelo seu público-alvo e convenções temáticas, não pelo gênero do autor.

Existem outras mulheres que fazem sucesso no shonen?

Montagem mostrando outras mulheres mangakas que fazem sucesso no shonen: Katsura Hoshino (D.Gray-man), Shinobu Ohtaka (Magi) e Q Hayashida (Dorohedoro), criadoras de mundos de fantasia e ação aclamados.Pin
Mais exemplos de mulheres dominando o shonen: Katsura Hoshino (D.Gray-man), Shinobu Ohtaka (Magi) e Q Hayashida (Dorohedoro). | Montagem: dcanerd.com | Fonte: © Respectivos Autores/Editoras

Sim, muitas! Além de Hiromu Arakawa e Rumiko Takahashi, temos Katsura Hoshino (D.Gray-man), Shinobu Ohtaka (Magi: The Labyrinth of Magic), e Q Hayashida (Dorohedoro), que criaram mundos de fantasia e ação aclamados mundialmente.

O Legado e o Futuro: Por que as Mulheres Mangakas Importam?

A história do mangá é, inegavelmente, a história das mulheres mangakas. Elas não apenas participaram: elas lideraram revoluções, quebraram estereótipos e elevaram a complexidade narrativa dos quadrinhos japoneses. Desde o drama psicológico do Grupo do Ano 24 até a ação de classe mundial de Hiromu Arakawa, elas provaram repetidamente que não há limites para sua criatividade.

Questionar quem está por trás do traço é essencial para valorizar e entender a profundidade do universo que tanto amamos. A jornada delas é inspiradora e cheia de obras incríveis. O seu próximo mangá favorito pode muito bem ter sido criado por uma dessas mulheres geniais.

E você? Que outra mulher mangaká você admira e por quê? Compartilhe sua opinião nos comentários!


Referências:


Participe da discussão:


Ilustração do editor do blog DCA Nerd, tomando café e convidando os leitores para a discussão.Pin
E aí, curtiu a análise? Deixe sua opinião nos comentários! | Ilustração do editor por dcanerd.com (IA).

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Você conhecia a história das mulheres mangakas? Quais dessas obras ou artistas mais te impressionou? Deixe seu comentário e vamos celebrar o legado dessas lendas!

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[…] o tempo, mangakás como Shigeru Mizuki (“GeGeGe no Kitarō”) exploraram o folclore de forma aterrorizante […]

Denis Cavalcante

Denis Cavalcante

Dênis é o criador e produtor do DCA Nerd, um espaço dedicado a explorar o universo dos mangás, animes e games. Apaixonado por histórias de Fantasia Sombria, ele busca informar, inspirar e conectar leitores por meio de suas publicações. Quando não está trabalhando em novos conteúdos, aproveita o tempo livre mergulhando em manhwas, mangás e, é claro, assistindo animes.View Author posts

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